Velocidade do USB 3.0: o número da caixa e o número real

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A caixa do pen drive dizia 5 Gbps. Você plugou, arrastou uma pasta de 40 GB e o Windows anunciou: 12 minutos. Fez a conta de cabeça, não fechou, e ficou com a sensação de ter sido enganado em algum ponto da cadeia. A boa notícia é que ninguém mentiu, a velocidade usb 3.0 que aparece na embalagem e a que aparece na barrinha de progresso medem coisas diferentes, e a distância entre as duas é bem maior do que parece.

Entender essa diferença resolve mais do que curiosidade. É o que separa quem troca de cabo, de porta e de pen drive no escuro de quem descobre em trinta segundos onde está o gargalo de verdade. Na maioria dos casos, não é onde as pessoas procuram.

As versões do USB e a velocidade de cada uma

Primeiro, o mapa. A tabela abaixo mostra o número que aparece na caixa e uma faixa realista do que se costuma ver em transferência de arquivo grande, lembrando que o valor real depende muito do dispositivo ligado na ponta:

VersãoVelocidade nominalNa prática, em MB/s
USB 2.0480 MbpsFaixa de 30 a 40 MB/s
USB 3.0 / 3.1 Gen 1 / 3.2 Gen 15 GbpsFaixa de 200 a 400 MB/s
USB 3.1 Gen 2 / 3.2 Gen 210 GbpsFaixa de 500 a 900 MB/s
USB4Até 40 GbpsBem acima do anterior, mas raramente atingido por pen drive comum

Repare na terceira coluna. Ela não é uma fração fixa da segunda, porque o limite prático quase nunca é a porta. É o dispositivo. Um pen drive de R$ 40 plugado numa porta de 10 Gbps continua andando na velocidade do pen drive.

Por que 5 Gbps não viram 625 MB/s

A conta ingênua é simples: 5 gigabits por segundo dividido por 8 dá 625 megabytes por segundo. Só que três coisas comem esse número pelo caminho.

A primeira é a unidade. Gbps é gigabit por segundo; MB/s é megabyte por segundo. Um byte tem 8 bits, então o número já nasce oito vezes menor só na conversão. É por isso que fabricante gosta de anunciar em bits: o número fica maior.

A segunda é a codificação. Para o sinal chegar íntegro do outro lado, o USB não manda só os seus dados: manda bits extras de controle junto, que servem para sincronizar e detectar erro. Esses bits ocupam a linha e não são o seu arquivo. Uma parte considerável da banda bruta some aí.

A terceira é o overhead do protocolo, cabeçalhos, confirmações de recebimento, pausas de negociação entre computador e dispositivo. É a mesma lógica de uma estrada: a velocidade máxima da pista não é a velocidade média da sua viagem, porque existem entradas, saídas e trechos em que você desacelera.

Somando tudo, o número da caixa é o teto teórico do barramento, não a promessa de quanto o seu arquivo vai andar. Ele serve para comparar padrões entre si, e é só para isso que deveria ser lido.

A bagunça dos nomes: 3.0, 3.1 Gen 1 e 3.2 Gen 1

Aqui está a parte que confunde quase todo mundo na hora de comparar anúncios. O consórcio que cuida do padrão renomeou o USB 3.0 duas vezes, sem mudar nada na velocidade. Resultado: três nomes diferentes para exatamente o mesmo desempenho.

Nome antigoNome intermediárioNome atualVelocidade
USB 3.0USB 3.1 Gen 1USB 3.2 Gen 15 Gbps
 USB 3.1 Gen 2USB 3.2 Gen 210 Gbps

Na prática isso tem um efeito perverso no comércio eletrônico: um produto anunciado como USB 3.2 pode ser mais lento que outro anunciado como USB 3.1, se o primeiro for Gen 1 e o segundo Gen 2. O número maior não vence. Sempre procure o Gen, ou o valor em Gbps. Quando o anúncio fala em usb 3.0 velocidade de 5 Gbps, você já sabe exatamente onde está.

O que é USB A, o que é USB C, e por que isso não define velocidade

Esse é o erro mais comum de todos, e vale ser bem direto: formato não é velocidade.

Quando alguém pergunta o que é USB A, a resposta é: é o conector retangular clássico, aquele que só entra de um jeito e que está na lateral do notebook, na TV, no carro e no carregador de parede. Quando a pergunta é o que é USB C, ou o que é USB tipo C, que é a mesma coisa, a resposta é: é o conector pequeno e oval, reversível, que entra dos dois lados e vira padrão em celulares e notebooks novos.

Os dois descrevem o desenho do plug. A velocidade é definida pela especificação eletrônica por trás da porta. Por isso existem, ao mesmo tempo:

  • Porta USB-C lenta: muitos celulares e aparelhos baratos têm tipo C rodando em USB 2.0, ou seja, 480 Mbps. O conector é moderno, a velocidade não.
  • Porta USB-A rápida: a porta retangular do seu PC pode perfeitamente ser USB 3.0 e entregar 5 Gbps.

A conclusão prática: trocar de formato não acelera nada por si só. Um cabo tipo C não deixa o seu pen drive mais rápido se a porta ou o dispositivo forem 2.0.

Como identificar se a porta é rápida

Três pistas, em ordem de confiança:

  1. A cor azul no plástico interno. É a convenção mais conhecida para USB 3.0. Funciona na maioria das vezes, mas é só convenção: fabricante nenhum é obrigado a seguir, e existe porta preta que é 3.0 e porta azul decorativa que não é.
  2. O símbolo SS (de SuperSpeed) ao lado da porta, às vezes com um número junto, indicando os Gbps.
  3. O manual ou a página do fabricante. Chato, mas é o único lugar que responde sem adivinhação, principalmente em notebook, onde é comum uma porta ser 3.0 e a vizinha ser 2.0.

O que realmente limita a sua transferência

Depois de toda a teoria, a parte útil: na esmagadora maioria dos casos o gargalo não é a porta nem o cabo. É o que está na ponta.

  • Pen drive comum: muitos leem razoavelmente rápido e escrevem devagar. E costumam cair de rendimento depois dos primeiros segundos, quando o cache enche e a memória real assume.
  • HD mecânico externo: tem prato girando. Por melhor que seja, o disco não acompanha o que a porta 3.0 aguentaria.
  • Cartão de memória em leitor: a classe do cartão manda mais que o leitor. Cartão antigo em leitor novo continua lento.
  • Muitos arquivos pequenos: copiar 50 mil fotos é muito mais lento que copiar um único arquivo de mesmo tamanho total. Cada arquivo tem custo fixo de abertura e fechamento.
  • O disco de origem: se você está copiando de um HD velho para um SSD externo bom, o HD velho dita o ritmo.

Adaptador atrapalha a velocidade?

Depende inteiramente da especificação dele. Um adaptador passivo bem feito, com especificação USB 3.0, só muda o formato do conector: os contatos extras que o 3.0 usa continuam ligados ponta a ponta, e ele não vira gargalo. O que derruba a velocidade é outra coisa:

  • Adaptador ou cabo 2.0: não tem os contatos que o 3.0 precisa. Tudo cai para 480 Mbps, mesmo com porta e dispositivo 3.0 dos dois lados.
  • Cabo ruim ou longo demais: sinal de alta velocidade é sensível. Extensões baratas e emendas são causa frequente de queda e de desconexão no meio da cópia.
  • Hub sem alimentação com muita coisa plugada: vários dispositivos disputando a mesma banda e a mesma energia.

Vale lembrar o caminho: um adaptador com entrada tipo C fêmea e saída USB-A macho serve para plugar um dispositivo ou cabo tipo C numa porta USB-A do computador. Ele não transforma o celular em computador, isso é função de adaptador OTG, que é outra peça.

Checklist: por que a sua transferência está lenta

Se está devagar agora, siga nesta ordem, a resposta costuma aparecer nos três primeiros itens:

  1. O dispositivo é mesmo 3.0? Pen drive de brinde e cartão antigo geralmente são 2.0.
  2. A porta é 3.0? Procure azul ou o símbolo SS. Teste outra porta da máquina: em notebook é comum a diferença.
  3. O cabo ou adaptador é 3.0? Peça antiga na cadeia derruba tudo para 480 Mbps.
  4. Você está copiando muitos arquivos pequenos? Se sim, a lentidão é esperada. Compacte em um único arquivo antes de copiar e compare.
  5. A velocidade começou alta e caiu? Clássico de cache cheio em pen drive barato. Não tem conserto, só troca de dispositivo.
  6. Tem hub no meio? Ligue direto na máquina e refaça o teste.
  7. De onde os dados saem? A origem pode ser mais lenta que o destino. Teste copiando um arquivo grande que já esteja no SSD do sistema.

Faça sempre o teste com um único arquivo grande, de alguns gigabytes. É a forma mais honesta de medir: pasta com muitos arquivinhos mistura o desempenho do sistema de arquivos com o do barramento e não diz nada sobre a porta.

Perguntas frequentes

Qual é a velocidade real do USB 3.0?

No papel, 5 Gbps. Na prática, o que se vê em transferências reais costuma ficar na faixa de 200 a 400 MB/s quando o dispositivo dos dois lados acompanha. A diferença vem de bits x bytes, da codificação do sinal e do overhead do protocolo, e, na maioria das vezes, do próprio pen drive ou HD, que é mais lento que a porta.

USB 3.0, 3.1 Gen 1 e 3.2 Gen 1 são a mesma coisa?

Em velocidade, sim: os três significam 5 Gbps. Foram renomeações do mesmo padrão feitas pelo consórcio que cuida do USB. Se o anúncio diz qualquer um desses três nomes, você está olhando para 5 Gbps.

USB-C é mais rápido que USB-A?

Não necessariamente. USB-A e USB-C são formatos de conector, não velocidades. Existe porta USB-C limitada a 480 Mbps (USB 2.0) e existe porta USB-A de 5 Gbps (USB 3.0). Quem define a velocidade é a especificação por trás da porta, não o formato do plug.

Usar um adaptador deixa a transferência mais lenta?

Um adaptador passivo com especificação USB 3.0 não costuma ser o gargalo, ele apenas muda o formato do conector. O que derruba a velocidade é adaptador ou cabo com especificação 2.0, que limita tudo a 480 Mbps, e cabos longos ou de má qualidade.

Por que meu pen drive USB 3.0 copia devagar?

Quase sempre porque a memória dele é lenta na escrita, mesmo sendo 3.0. Pen drives baratos costumam ler rápido e escrever devagar, e despencam depois dos primeiros segundos, quando o cache enche. Milhares de arquivos pequenos também derrubam muito a média em relação a um arquivo grande único.

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